Quinta-feira, Maio 14, 2009

Ser Vegetariano...

Ser vegetariano? Ser vegan? Para aonde caminha a humanidade?
Sou vegetariano por opção desde as vésperas do meu sétimo aniversário.
Tudo começou na minha escola, ainda com 6 anos. Em meados de 1974 eu ganhei um pintinho, amarelinho e super bonitinho, creio que tenha sido um hábito na época as escolas distribuírem filhotes aos alunos, uma espécie de brinde vivo. O que não deixa de ser um horror, mas em fim, acabei descobrindo que aquele animalzinho lindo que eu alimentava todos os dias na verdade era o mesmo recheio daquilo que seriam os salgadinhos da minha festa de aniversário. Não tive dúvidas em mandar um “PÁRA TUDO!!!” e a partir daquele ano eu não comi mais nenhum tipo de ave.
Na verdade, a carne vermelha eu sempre rejeitei, desde bebê, e em todas as vezes que fui forçado a comer, de alguma forma eu coloquei tudo para fora.
Eu fui uma criança privilegiada na época, pois ser vegetariano era quase o mesmo que ser um ET, fui descriminado, as pessoas teimavam em colocar que eu ficaria doente por não comer carne e até terrorismo meus tios fizeram comigo nas vésperas de servir para o exército, o que graças a um bom Deus não aconteceu. Mesmo assim, sempre tive o apoio de minha mãe e de meus avós.
O meu avô foi o precursor da criação da “Carne de Soja”, não a PTS, mas a carne feita a base de soja mesmo, aquela congelada em formato de hambúrguer, peças defumadas para feijoada ou seitan que foram muito vendidas nos anos 80 e 90 em restaurantes vegetarianos e macrobióticos, isso mesmo, tudo criação do meu avô!
Essa sojinha torrada que todos tem comido e que são vendidas até em mercado... também criação do meu avô!
E muitas outras coisas criadas a base de soja e que tinham o objetivo de alcançar a merenda escolar.
Não por interesse monetário, mas sim por interesse na saúde, na reeducação alimentar e visando principalmente as crianças carentes.
Meu avô fez todos os testes possíveis para a introdução da carne de soja na merenda escolar mas mesmo assim foi tudo em vão.
Mesmo provando a grande diferença em porcentagem do que aproveitamos da carne de soja em nosso organismo e de forma totalmente saudável, sem agredir o organismo e muito menos o meio ambiente, mesmo tendo uma validade de mais de 1 ano no congelador, não foi aprovado.
Tudo acompanhado, registrado e documentado.
A industria da carne vence e população carente fica a mercê de cadáveres decompostos em suas refeições.
Muitos anos depois a carne de soja foi colocada no mercado aberto, pois antes só eram vendidas em entrepostos e restaurantes vegetarianos ou adventistas.
Ela entrou no mercado com a marca “Alina” mas por motivos de divergências familiares, a Alina foi um fracasso.
Em seguida entrou a Soy Buena, essa sim deu certo até a desistência de meu tio com o produto.
Na mesma época eu e minha mãe preparávamos uma degustação para a Perdigão.
Eles queriam que eu preparasse lá mesmo na fábrica deles uma variedade de pratos com a fórmula do meu avô.
Foi um sucesso! Um auê danado, um sobe e desce de gente pra experimentar a nossa carne de soja.
Eles fizeram o mesmo, nos servindo os seus produtos de baixíssima qualidade.
O gerente de produção pergunta como faríamos para transformar o produto deles como o nosso, com a mesma qualidade e sabor.
Eu fui objetivo e concluí que bastava tirar o produto deles e colocar o nosso no lugar, pois a matéria prima deles é diferente da nossa.
Em fim, não aconteceu nada, não mudaram nada.
Eles tem um objetivo de venda que foca o publico carnívoro e apenas lançaram algo na esperança de pegar esta fatia que vem crescendo a cada ano, nós, os vegetarianos, ou veganos.
Quando vejo a quantidade de pessoas que conheço que não comem carne, fico muito feliz. Penso muito para aonde caminhamos, e muito acima de um movimento ou até mesmo um modismo, as pessoas tem consciência, e muitos dos que não comem carne hoje tem a mesma iniciativa que eu tive aos 6 anos de idade, que é não comer carne por dó dos animais, por respeito aos animais e a natureza!
Finalmente podemos nos colocar como animais também, pois somos mesmo, e vivendo de forma saudável e sem violência contra nós mesmos, caminharemos para um futuro bem melhor, livres de hormônios desnecessários e adrenalina nociva a saúde nos alimentos.
Gostaria muito de que meu avô estivesse vivo ainda para poder ver o grande passo que a humanidade dá a cada dia, e para que ele visse também que a humanidade tem cura, num processo lento e lógico, de forma consciente, sem modismos e nem fanatismos, mas sim num vegetarianismo pelos animais.

3 comentários:

Lex disse...

Pentelhão! Faz tempo não?
No seu texto vc escreveu "EM FIM" que quer dizer "no final" e suponho que o certo seja "Enfim" que significa "finalmente".

Grande abraço!

Diana disse...

Nossa Peu, dos textos sobre vegetarianismo que já li esse é o mais coerente e sincero, não é superficial e sim uma história do pq vc é vegetariano, e o pq de muitas pessoas que tbm escolheram ser...Fiquei impressionada, não o suficiente pra deixar a minha alimentação de carnívora=p, mais o suficiente para eu simpatizar com esse estilo de se alimentar, que nunca foi muito bm visto por mim, agora to mudando a minha opinião.
(To orgulhosa do meu padrinho o.o)
Adorei seu blog=]]Kisses, Dih=]]

Rodrigo Hohagen (Peu...) disse...

Díiii, brigadão rs!!!
Lex, saudades de vc meu queridíssimo!!! mas quanto ao fim, o que importa mesmo é que se escreve com bic, rs grande abrax meu caro!